Extrusion

10 11 2009

Recebi uma chamada de uma colega, onde me contou que tinha terminado o relacionamento de 6 anos com o namorado. Ela precisava de falar, comiserar, falar de planos, de respirar algum ar fresco. Ela sabia que eu iria entender o estado em que se encontrava, que eu de alguma forma me conseguiria relacionar. E ela estava certa.

Nunca mais escrevi sobre estas coisas. Nunca mais escrevi sobre esses sentimentos negativos, de perda e rejeição. As razões são muitas, mas principalmente é porque já NÃO me consome da forma que costuma consumir. Eu segui em frente. Mas é estranho que de alguma forma, já não conheço essa pessoa em mim. A sua voz ou o seu riso, o dia-a-dia mundane. Por tanto tempo pareceu ser uma conclusão tão acertiva tomar parte dessa vida: de que eu iria estar sempre naquele lugar, que iria sempre conhecer aquelas pessoas, aquela pessoa. Uma e outra vez, os mesmos padrões de tempo, lugar e espaço. Sempre o mesmo: as mesmas palavras, os mesmos planos, as mesmas lutas e tristezas, o mesmo puxa e empurra.

Existem momentos em que fico espantado ao notar o quanto as coisas estão diferentes, quanto tempo me levou a chegar aqui e como estou orgulhoso de onde estou hoje. Eu SEI o que custou. Eu SEI todas as coisas sobre as quais poderia ter “escrito” ao longo dos anos e sobre as quais nunca nada fiz. Eu SEI que me foram dadas todas as razões para tornar a minha partida mais fácil mas eu na altura decidi agarrar-me ao bom que existia.

Não posso evitar senão reflectir sobre um tempo que num todo era completamente diferente do que é agora…Vejo a minha própria complacência. Complacência com o “conhecido”; um completo destacar do “desconhecido”; a possibilidade de estar com outra pessoa, de estar só. Prendi-me em padrões e não conseguia encontrar uma saída. Não existia nada mais. Podia estar errado, mas fiquei.

Até que tomei uma decisão. Abri os olhos – talvez pela primeira vez em muito tempo, talvez pela primeira vez desde o primeiro encontro. E eu vi, e eu senti, o fim como um facto. Apenas porque era tudo o que tinha conhecido, não significava que era tudo o que eu teria para conhecer. A toxicidade do desrespeito, as feridas emocionais, a profundeza de falta de auto estima, a solidão…A familiaridade, tão enraizada, tão enganadora. Até que sacudi a complacência dos meus olhos e vi as coisas como elas eram. Podia não ter tido a possibilidade de escolher as pessoas que me prejudicaram, mas podia escolher a pessoa que quereria amar dali para a frente.

A mulher da minha vida, disse-me uma vez que tenho uma tendência para “querer sempre mais”. Eu sei o que ela quer dizer, mas também sei que ela está certa em mais maneiras que uma só. No passado talvez tenho querido alcançar por mais do que existia lá para alcançar, mas definitivamente, escolhi querer algo mais com a esperança,a fé e o fervor de que alguém melhor cruzasse o meu caminho. Alguém como ela. E assim foi.

Advertisement

Actions

Information

2 responses

11 11 2009
Fátima

As pessoas têm tendência a adiar o fim de um relacionamento por vários motivos mas sendo um deles porque convém… nem todas as pessoas gostam de mudanças mas algumas são essenciais para seguirmos em frente em vez de ficarmos estagnados no mesmo lugar. A pergunta a fazer a nós prórios é: “O que é que me faz feliz? manter-me onde estou ou seguir um rumo diferente?” quando as pessoas decidem que realmente chegou o momento para agir e fecham um ciclo para poderem iniciar outro, parece que o Universo abre as portas para algo novo e melhor, muitas vezes só estava à espera que tomassemos uma atitude!… porque pode até haver um pré-destino mas tudo depende da nossa vontade e para onde queremos ir.

14 11 2009
Peach

A verdade é que quando se fecha uma porta… uma nova OBRIGATORIAMENTE terá que se abrir… ou várias. Quando só temos um caminho por percorrer, tornasse TUDO mais fácil. É só deixamo-nos ir apreciando a paisagem até a porta seguinte, mas quando temos que decidir para onde vamos, o que queremos, é que tudo se complica. Vou para a esquerda ou para a direita? lol

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Connecting to %s




Follow

Get every new post delivered to your Inbox.